Linus Torvald poderia ser Bill Gates?

Outubro 31, 2008

Ou Como idéias e produtos se propagam em rede
01.05.07
[ Por Carlos Nepomuceno ]

 

É comum se divagar por aí que Linus Torvald – ideólogo e pai do Linux – poderia hoje estar rico se tivesse montado uma empresa e colocado no mercado o “seu” (prestem atenção nas aspas) sistema operacional, ao invés de desenvolvê-lo cooperativamente e oferecê-lo de graça na Internet.

As especulações até que poderiam fazer sentido, se partíssemos da premissa com a qual estamos acostumados a pensar o mundo dos negócios:

Idéia –> Produto –> Empresa –> Preço –> Consumidor

Se analisarmos, entretanto, a história dos processos de inovação de software e serviços na (e para) a Web, constataremos uma nova dinâmica.

Desde o hipertexto, Netscape, ICQ, Linux, Apache, Wikipedia, MP3, Emule, Orkut, Skype – para citar alguns produtos que mudaram a rede e, parcialmente, a sociedade – percebemos uma nova lógica:

Idéia –> Produto ou Serviço Grátis –> Rede –> Consumidor

Não conheço nenhum projeto que tenha atingido a escala global sem recursos que tenha fugido dessa rota.

Dito isso, é interessante analisar como determinadas idéias – vindas de visionários dos cantos mais insólitos do planeta – se multiplicam e ganham a rede em escala mundial.

Os estudos acadêmicos sobre a presença do ser humano em rede – eletrônica ou não – demonstram contra o senso comum, que a tendência é de que gradualmente, apesar das diversas opções, selecionemos centros de referência prioritários.

O que explica o fato de, apesar do usuário ter na Internet a liberdade de acessar milhões de endereços, as visitas se concentram em apenas centena deles.

Se isso vale para sites, acontece também com as pessoas no ambiente Web.

Alguns têm mais capacidade de influência do que outros em alguns temas ou assuntos, como já ocorre, na verdade, na vida cotidiana.

São os anéis, ou hubs, por onde escorre o fluxo da informação.

Assim, se fôssemos aperfeiçoar o estudo dessa nova lógica da criação de produtos, teríamos a seguinte dinâmica na rota de inovação na rede para a rede:

Idéia –> Produto Grátis –> Rede –> Multiplicadores –> Consumidor

O multiplicador formal (revistas e sites especializados, colunistas, etc) e o informal (blogs, comunidades, etc) são os filtros e conectores daquilo que será, ou não, interessante para os demais.

O multiplicador, geralmente, é articulado em comunidades em rede e mantém canais diferenciados com toda a cadeia, explicando, portanto, a velocidade e o alcance da difusão do boca-a-boca.

Podemos, se quisermos, dar um zoom no início desse processo, no exato momento da entrada de um determinado produto ou serviço na rede, teríamos o seguinte processo:

Idéia –> Produto Grátis –> Rede –> (Multiplicador) –> muito curioso e especialista de plantão –> menos especialista e menos curioso–> eu topo novidades, mas sou quase leigo –> eu só topo o que for mastigado e sou muito leigo –> (Consumidor).

Esse processo seria no gráfico da rede algo assim, obviamente não de forma tão esquemática, pois os pontos podem se entrelaçar, mas valeria para efeito de regularidade de constância:

  

Verde – muito curioso e especialista de plantão

Amarelo – menos especialista e menos curioso

Laranja – eu topo novidades, mas sou quase leigo

Azul - eu só topo o que for mastigado e sou muito leigo

Diante disso, produtos em rede para a rede só têm chance de prosperar nessa dinâmica do chamado marketing viral se for aderente às regras e demandas dessa recente net-ecologia.

Foi esse novo cenário e paradigma que obrigou Bill Gates a lançar, na década de 90, o Internet Explorer, primeiro produto grátis na história da Microsoft, para poder competir com o Netscape, seguido depois de vários outros como o Windows Media Player, Outlook, etc.

E tem mudado a maneira de se pensar negócios para produtos intangíveis, aqueles que podem circular na Net.

Portanto, para acabar com a polêmica criada sobre a não riqueza Microsofitiniana de Linus Torvald diria o seguinte:

Se ao invés de optar por desenvolver o projeto coletivamente na rede, ele aplicasse a mesma lógica empresarial pré-Internet, seria com certeza, apenas mais um maluco anônimo, que teve uma bela idéia fracassada de um sistema operacional interessante, mas inviável, num inverno frio e sem namorada na Finlândia.

E nada mais.


Essa Coca é Fanta!

Outubro 31, 2008

19.04.07
[ Por Carlos Nepomuceno ]

 

Hoje, debaixo do guarda-chuva da Web 2.0 cabe tudo, até elefante de sunga, tomando banho de baldinho.

Vamos, portanto, separar o teclado do mouse.

Primeiro, o que a Web 2.0 traz de verdadeiramente novo e diferente ?

1- A possibilidade de uma comunidade de usuário criar e modificar diretamente o conteúdo dos websites.

O que nos leva à segunda grande mudança:

2- o gestor de conteúdo, informação , ou seja lá o nome que tenha, muda de lugar, de prover conteúdo, passa a gerir comunidades, que tomam o seu antigo posto.

Essa é a grande mudança, o resto é lança-perfume .

As mudanças atendem a um requisito fundamental dos nossos tempos de muita informação e pouca atenção:

  • é preciso aumentar a velocidade para a geração de informações em áreas cada vez mais mutantes;
  • não existe, no modelo clássico, a possibilidade de uma pessoa, ou uma pequena equipe, conseguir ser rápido, amplo e preciso como milhares o são;

Ou seja, a produção coletiva não vem para criar problemas, mas solucionar os que estão aí sem solução.

Assim, temos agora um novo ambiente comunicacional informacional disponível para resolver diversas questões.

Antes, em função das tecnológias disponíveis, era preciso um carimbador-oficial de cada website: isso entra, aquilo não.

Havia um “porteiro”, pedindo carteirinha de conteúdo na porta, o que tornava o site pesado para algumas demandas.

Agora não.

Nos sites Web 2.0 puros e sem gelo, a grande marca é a demissão do porteiro para ganhar rapidez.

O usuário não precisa mais passar mais pela portaria. Entra pela janela, teto, do chão, etc….

O novo “ex-porteiro” administra a comunidade, ajuda nas regras, nas ferramentas de regulação da massa, incentiva, acompanha alguns conteúdos críticos .

Mas é muito mais um animador comunicacional e informacional, do que um gestor de conteúdo e informação clássico .

( Nós chamamos o novo profissional de gestor de comunidades com o apelido de apicultor de colméias. Ver mais detalhes no nosso livro “Conhecimento em Rede”, da Campus , meu e de Marcos Cavalcanti.)

Um website com comentários, notas, etc… é algo bacana interativo, mas não é Web 2.0. Ou seja, resolve alguns problemas, mas não os que a sociedade impõe cada vez mais: velocidade com qualidade .

Nesses websites 1.0 o porteiro continua lá , com o poder de decidir o que entra e o que não entra. Permite-se comentários, dar notas, mas o filé mignon quem coloca no balcão é ele, o que torna a informação pouco vibrante, estática e, portanto, atualmente, em muitos casos, sem valor .

Ou seja, a Web 2.0 veio para produzir de forma dinâmica um novo processo de gerar informação, que só funciona com comunidade interagindo e criando inteligência coletiva.

Dito isso, vamos ao segundo ponto.

Não existe um tipo só de site colaborativo de massa 2.0. Existem vários modelos, mas com apenas duas vertentes, até agora, claramente identificadas.

Vejamos a tabela :

Tipo de site “sem porteiro”
no conceito Web 2.0
Característica
O usuário inclui conteúdo. mas não altera o conteúdo alheio Comentam, dão nota , etc, mas não alteram o que o outro postou.

(Ex: YouTube, Orkut, Fotolog blogs individuais).

O usuário inclui conteúdo , e altera o conteúdo alheio Comentam, dão nota , etc, e podem alterar o que o outro postou.

(Ex:Wikipedia, blogs coletivos ).

Notem que são duas possibilidades que vão se encaixar, conforme cada necessidade. Não é que uma é melhor do que outra, mas atendem a demandas distintas. E para cada uma delas exige-se um tipo de gestão.

Dentro de cada uma existem variantes, vejamos:

O usuário inclui, mas não altera o conteúdo alheio, com direito, entretanto, a comentário ou dar notas. Ou sem direito a comentário, dando nota. Ou dando nota sem direito a comentário, etc.

O usuário inclui e pode alterar o conteúdo alheio , mas sem direito, entretanto, a comentário ou dar notas. Ou com direito a comentário, dando nota. Ou dando nota sem direito a comentário, etc.

O grande desafio agora é, diante destes modelos, responder:

  • qual é o melhor modelo web 2.0, dentro dos meus objetivos , para que eu possa ganhar agilidade?
  • como criar uma gestão nesse modelo para que consiga separar adequadamente o lixo da qualidade ?
  • que tipo de profissional preciso ? E com que formação ?
  • E quais ferramentas disponho hoje para atingir essas metas ?

(Vou deixar estas questões no ar para responder nos novos artigos.)

Destaquemos, porém, agora, que para administrar projetos da web 1.0, no qual tínhamos o porteiro, já temos todas as ferramentas, livros, profissionais adequados para exercer a função.

O problema ao misturar sites 1.0 com os 2.0 é de que temos a tendência de encaixar as antigas metodologias e profissionais não preparados para administrar um novo modelo , com risco enorme de fracasso.

Assim, se vamos querer ganhar as facilidades e benefícios da nova etapa da rede, é preciso compreender exatamente o que é novo e o que ainda está no modelo anterior , útil ainda para diversos problemas..

É novo tudo que não tem porteiro. Não é novo: os projetos com porteiro .

A partir disso, temos caminhos bem distintos a tomar .

Portanto, se alguém chegar para você para apresentar e pedir a opinião do que você está achando do novo-mega-super-inovador-show-de-bola projeto Web 2.0, sugiro dê uma olhada na entrada da boate do website do cidadão .

Se tiver porteiro carimbando convites, pode dizer sem susto:

Meu irmão, essa Coca é Fanta!


O que avião, ventilador e internet têm em comum

Outubro 31, 2008

03.04.07
[ Por Carlos Nepomuceno ]

 

A nossa capacidade para responder a atual equação proposta pela história e gerar ações humanistas que protejam o ser humano das mudanças nocivas que ela também trará é a peça chave para o futuro de cada um.

Certa vez, perguntaram a duas pessoas o que significava para a história do homem o recém-inventado avião. Um supôs que era um ótimo ventilador; o outro, que o aparelho iria encurtar a sensação do tamanho do planeta.

Ao se pensar nas inovações ao longo da história, sugere-se que os produtos, processos ou serviços podem ser classificados de duas maneiras:

Os incrementais: melhoras pequenas em produtos existentes;

Os revolucionários: sem precedentes e sem características já conhecidas, que promovem melhoras significativas de desempenho e/ou custo, além de transformar e/ou criar mercados.

Acredito, entretanto, que as inovações radicais permitem, de forma recorrente, possibilidades e oportunidades diferentes na sociedade, dependendo da área em que estão inseridas.

Existem inovações mais ou menos radicais do que outras, que podem variar de intensidade ou da capacidade de gerar ondas em função das áreas das quais se originam.

Uma inovação radical, por exemplo, em metalurgia pode ter conseqüências menores para a sociedade do que uma em mecânica, ou vice e versa, bem como, existem inovações radicais diferenciadas em maior ou menor grau em qualquer área.

Existem, porém, áreas especiais nas quais inovações radicais têm mais impacto e são, por causa disso, mais sensíveis do que outras.

As mudanças ali devem receber um peso maior devido à sua amplitude, diante das possibilidades e oportunidades que se abrem para a sociedade.

Inovações radicais nos meios de transporte, por exemplo, no ir e vir: carruagem, trem, carro, avião. Ou na medicina, antibiótico, vacinas, clonagem são algo que geram fortes alterações sociais.

Ambas não deveriam merecer pesos maiores pela abrangência ao se projetar suas repercussões para o futuro?

Imagine se inventam o teletransporte ou o helicóptero pessoal? Ou clones de pessoas com maior capacidade física e intelectual?

As conseqüências, por tendência histórica, serão, certamente, mais relevantes do que outras.

Defendo que ao avaliarmos inovações radicais nessas áreas transversais a toda a sociedade devemos ter uma atenção especial, atribuindo peso maiores a determinadas áreas do que outras.

Como, por exemplo, mudanças na comunicação, uma atividade humana que faz parte do dia-a-dia de todas as pessoas.

Na verdade, a comunicação é uma espécie de .tubo. por onde passam as informações, que criam o oceano do conhecimento humano.

Sem comunicação, só existiriam macacos.

O estudo das possibilidades de cada grande inovação é a atividade fim dos gestores e dos agentes de capital de risco ao investir em novos projetos: cálculos de oportunidades e impactos.

(Imagino, aliás, que as fórmulas devem ser bem mais complexas da que vou apresentar).

Calculam, assim, por diferentes interesses e pontos de vista, o impacto daquela dada inovação nos negócios ou na sociedade das possíveis oportunidades que se apresentam.

Assim, em uma fórmula, poderíamos ter:

Impacto social = grau de inovação x área de origem

Quanto mais transversal a área e mais radical a inovação, mais possibilidade de mudanças. Assim, o peso exponencial da comunicação seria talvez 5 e transporte e medicina, 4, ficando a metalurgia e a mecânica com valores menores, a título de abstração, que completaria a equação abaixo:

IS = GI(x)(1) x AO(x)

  • IS = Impacto social
  • GI = grau de inovação
  • AO = área de origem

Em que os exponenciais podem de ir de 1 a 5, por exemplo.

Pelo seu passado, recheado de melhorias significativas, desempenho, redução de custo, transformação e criação de mercados, podemos caracterizar, sem pestanejar, que a internet é uma inovação radical.

E, entre tantas inovações incrementais nas tecnologias de informação, a web é, antes de tudo, uma inovação radical com peso máximo numa área que também se encaixa entre as mais sensíveis.

O que multiplica, como já vimos, em toda a sociedade ainda mais sua amplitude, aumentando o valor na fórmula:

IS = GI(5) x AO(5)

  • IS = Impacto social
  • GI = grau de inovação = radical no maior grau
  • AO = área de origem = comunicação . pontuação máxima

Pierre Levy, filósofo francês da Cibercultura, considera que uma inovação radical na comunicação com a mesma dimensão da web só pode ser comparada à invenção da escrita, do papel e depois a prensa de Gutemberg.

Esta última há 500 anos, que provocou na época grandes transformações, como a Reforma Protestante na Alemanha, através das novas idéias veiculadas para um novo público, via novos jornais e livros, que permitiram e impulsionaram as revoluções industrial, francesa, americana, soviética, moldando o atual mundo moderno.

Somos filhos de Gutemberg, como nossos tataranetos serão da web.

Lévy considera que o ciberespaço é o novo e primeiro ambiente a distância que permite pela primeira vez a comunicação de muitos para muitos dos blogs, Orkuts e Wikipedias, onde podemos, como nunca, predominar a nova comunicação horizontal de massa frente a atual vertical (das tevês, rádios e jornais).

No livro Conhecimento em Rede, da editora Campus, meu e de Marcos Cavalcanti, apoiamos a tese de novo paradigma e aprimoramos estas teorias de Lévy.

E, a partir daí, podemos voltar a pensar de novo na historinha do avião, ao percebermos que as atitudes das pessoas frente ao fenômeno internet está ligada aos valores que colocam na equação apresentada, que é feita de alguma forma na cabeça de cada um, ao atribuir o grau de atenção que vai dar para determinada coisa.

(Quanto mais relevante for o fato, mais tempo você se dedicará a ele. Um assalto em outra cidade recebe uma nota baixa, mas no vizinho exige uma ação imediata).

Quanto menos radical acham que a internet é e quanto menos percebem o papel multiplicador da comunicação na sociedade, menores valores atribuem à formula dada. Menos se preocupam. Menos incorporam os novos conceitos no seu dia a dia e aos novos projetos.

No início, quando tudo ainda é nebuloso, é tudo uma questão de aposta. Mas conforme os dados vão aparecendo, como já é o caso, é sempre tempo de ir reavaliando a pontuação.

É o que podemos chamar de dilema da altura: de que ponto de vista ou dimensão cada um consegue subir em grandes momentos impulsionados por inovações radicais em áreas sensíveis?

Onde cada um consegue subir? Cadeira? Escada? Ou montanha?

(Não é a toa que Lévy – que nos traz uma visão (de e) da montanha – é filósofo e cumpre seu papel de acender lanternas do alto do platô nas grandes crises e mudanças).

O verdadeiro resultado da equação apresentada – ainda carente de estudos acadêmicos – já tem demonstrado que os fenômenos inovadores incrementais dentro da revolução web (Google, Linux, Skype, MSN, Wikipedia, Orkut, etc) não têm explicação plausível sem que os números da equação se aproximem cada vez mais do máximo.

Podemos dizer, por fim, caso nossas equações se confirmem, que essa mudança na comunicação possibilita (e possibilitará) e provoca (e provocará) um efeito dominó cada vez maior na sociedade, atingindo, entre tantas, as seguintes peças em fileira: informação, conhecimento e inovação, as três cada vez mais estratégicas para a geração de riqueza na nova sociedade do conhecimento, arrastando atrás de si profundas mudanças políticas, sociais e econômicas, ainda incipientes, por mais que já estejamos espantados.

A nossa capacidade e velocidade para responder adequadamente esta equação proposta pela história e ter a capacidade de gerar ações humanistas que protejam o ser humano das mudanças nocivas que ela também trará é a peça chave para o futuro de cada um, do Brasil e do planeta.

Aposto nisso. E você?


Web 3.0, 4.0, 5.0..Boom!

Outubro 31, 2008

14.03.06
[ Por Carlos Nepomuceno ]

 

Não faz muito, me liga a repórter da Zero Hora de Porto Alegre:

- E a Web 3.0, a tal web semântica?

Me pega tomando descafeinado com pão de queijo. E ainda quase de boca cheia, ataco pelo celular de Niterói depois de uma palestra:

- Papo furado, não dá para prever.

Continuo:

- Como não dava para imaginar que a própria internet, o Linux, o Skype, o MP3, o YouTube chegariam do nada a escala global.

Veja – digo a ela – que o passado da web e suas inovações não se apresentaram de forma linear. Foram quebras trazidas dos lugares e personagens mais inesperados.

Tiveram apenas algo em comum: a adesão da massa em rede às idéias alucinadas de uns malucos escondidos por aí.

Calma, enfatizo, não dá para monitorar malucos, pois uma grande idéia na tela não é nada.

(A bolha cobrou caro essa constatação.)

Assim, para prever o futuro é necessário acompanhar e monitorar os enxames para seguir o calor nas colméias.

E monitorar tão de perto, tão de perto, que é preciso virar abelha, como uma metamorfose. As empresas, digo a ela, serão colméias, produzirão calor e mudarão o mundo ou serão picadas até a morte.

Arremato com esta frase de efeito – (na verdade, já nem sei se disse, de fato, ou inventei agora). ;)

Ou seja, se a indústria de música não olhasse com desdém o bafo quente do Napster e o MP3, não estaria na crise atual.

Ou as empresas de teles não ignorassem o incendiário Skype.

Ou ainda neste momento as empresas do planeta que não acreditam no Orkut.

Ele e os irmãos (YouTube, MySpace, entre outros) são o novo modelo de comunicação corporativa, que moldará a Internet e Intranet dos próximos anos – basta medir a temperatura.

Assim, é preciso tirar algumas lições da Web 1.0 (1960-2005) para nos ajudar a entender a fase atual da Web 2.0 (2005-?) e pensar no futuro.

Eis as sete regras de quem não quer chorar sobre a Web derramada (seja a 2, 3, 4 ou 5):

1- nada importa se não gera calor na massa em rede;

2- tudo importa se gera calor na massa em rede;

3- o calor não tem hora ou lugar, desde que aceito pela colméia;

4- Quanto mais calor, mais valor;

5- O valor está no calor da massa em rede;

(Justifica o preço do YouTube: 1,6 bi de dólares).

6- Assim, para gerar valor, seja a massa em rede e gere calor;

7- Competir é manter calor.

Ah, e sobre a Web 3.0?

Tá fria.


A venda do YouTube marca uma nova etapa da Web

Outubro 31, 2008

30.10.06
[ Por Carlos Nepomuceno ]

 

Muitos se perguntam, com razão, por que o Google pagou em outubro deste ano U$ 1.65 bilhão de dólares para adquirir o YouTube, site de compartilhamento de vídeos, com mais de 15 milhões de usuários e um crescimento exponencial.

Não foi a tecnologia, já que em três meses qualquer grupo de jovens programadores faria algo talvez até melhor. Nem mesmo a mala direta, pois já se concluiu que entupir usuários com e-mails indesejáveis não se tem o retorno esperado.

O que se comprou ali, na verdade, foi a comunidade ativa, interagindo, compartilhando, para a qual o Google vai passar a colocar anúncios direcionados e tentar retorno, a longo prazo.

A idéia é repetir o mesmo modelo de vendas de links patrocinados e personalizados, que hoje já dá lucro na ferramenta de busca.

Ou seja, em torno de um filme sobre vinho, aparecerão sugestões de links para uma adega eletrônica, um livro para iniciantes ou um novo saca rolha. Para um clipe sobre jardinagem, novos adubos, aventais ou uma mangueira futurista serão discretamente ofertados.

Será a lucrativa união do meio interativo e comunitário Internet com o mercado de consumo. Ambos, com certeza vão sair melhores do que entraram.

A compra do YouTube, na verdade, demonstra uma lógica cada vez mais evidente.

As comunidades em rede ativas têm um valor enorme, pois fazem parte dos raros locais (mesmo que virtual) do mundo moderno, no qual as pessoas admitem passar o tempo cada vez mais;

E permitir assim casar o produto especializado com o nicho de interesse, conseguindo uma química cada vez mais rara: a atenção do consumidor.

O grande capital e as comunidades A compra marca ainda a entrada do grande capital na nova fase da Internet do badalado e ainda mal interpretado conceito da Web 2.0.

Neste novo ciclo, o usuário em banda larga, na tranqüilidade de gozar da rede 24 horas pelo mesmo preço, não quer mais apenas ler; mas escrever, produzir, sozinho e em grupo.

Enfim, quer aparecer, nem que seja para poucos por muito tempo, ou para muitos num breve instante.

Enfim, Existir (com “e” maiúsculo) no planeta das bilhões de almas invisíveis.

Neste novo patamar o mercado assume intuitivamente, encabeçado pelo Google – e pagando alto – que a web não é apenas e mais um novo meio de comunicação, como achávamos, a princípio.

Mas o primeiro meio interativo do ser humano, agora em atividade interativa na escala dos milhões.

E, neste ambiente, quanto mais gente interagindo, mais Internet é. E quanto mais verdadeiramente Internet for, mais valor terá.

Por isso, os hoje 15 milhões de usuários ativos e interagindo do YouTube, somados a outros tantos milhões amanhã, valem U$ 1.65 bilhão de dólares. É o preço de mercado.

Inaugura-se assim a venda e compra de comunidades inteiras, o que vai nos levar a matemáticas financeiras complicadas de quanto vale cada uma delas, o que pode-se lucrar, os fatores de risco dos usuários não gostarem do novo dono, etc…

É quase uma nova profissão: medidor de valor de comunidades em rede. (Anote se você é matemático ou economista desempregado.)

Por fim, pergunta-se: o YouTube foi uma comunidade cara? O Google vai conseguir retorno? Isso só o tempo dirá.


Samba, suor e Internet

Outubro 31, 2008

26.05.06
[ Por Carlos Nepomuceno ]

De um lado o surdo dos otimistas, que consideram a Internet a redenção da democracia na avenida.

Do outro, o tamborim dos pessimistas que acreditam que por mais voltas que a rede dê, tudo vai acabar na concentração (com trocadilho) e, quem sabe, em monopólio.

Pólos opostos se fantasiam de números, conceitos, autores e marchas para atrair foliões para o respectivo desfile.

Mas diante do novo, do desconhecido, como saber realmente o que é ponta de iceberg e apenas pedaço de gelo?

Parece-me que, assim, antes de afirmar, é preciso questionar. De mal-dizer, conhecer.

Foi o que fez Simone Pereira de Sá, professora do Programa de Pós-graduação em Comunicação do Departamento de Estudos Culturais e Mídia da Universidade Federal Fluminense.

Acompanhou durante um ano, entre 2000 e 2001, a lista de discussão sobre carnaval, criada em 1998, batizada por ela de RC, “com o objetivo de reunir pessoas que se interessem pelo carnaval carioca e por suas escolas de samba”.

Relatou o que assistiu no livro: “O samba em rede: comunidades virtuais, dinâmicas identitárias e carnaval carioca”, lançado pela Editora E-papers.

A autora na publicação desfila pelas teorias das novas tecnologias da comunicação, comunidades virtuais, listas carnavalescas e práticas comunicacionais na web.

Sobre a lista pesquisada não há no livro dados sobre a quantidade de mensagens trocadas, número de participantes, regiões, faixa etária, o que me deixou meio perdidos.

É dito, entretanto, que os membros são autores de obras sobre escolas de samba, carnavalescos e membros de diretoria de Escolas, jornalistas especializados, compositores, radialistas, “puxadores de samba”, “donos de alas”, que vendem fantasia.

– Ao lado deles, encontramos participantes de procedências diversas – tanto de outras cidades e regiões do Brasil quando do exterior, alguns deixando claro que são velhos conhecidos do mundo do samba, que já participaram de desfiles e que estão temporariamente ausentes da cidade; outros, realmente novatos geralmente não residentes no Rio de Janeiro, desculpando-se por não entenderem tanto de samba, mas “querendo aprender”.

Apresenta também resultados práticos dos anos de convivência dos participantes: encontros presenciais regulares, a vinda de várias pessoas ao Rio para o carnaval, inclusive se hospedando na casa de outros membros da lista.

Destaca ainda a criação de um prêmio informal, promovido pela comunidade virtual, com voto dos freqüentadores do Setor 3 do Sambódromo, que culminou com a congregação com os carnavalescos premiados na quadra da Escola de Samba Paraíso do Tuiuti, nos anos de 1999 e 2000.

E uma intensa troca de mensagens sobre o carnaval incluindo informações regulares sobre o tema, como narra um dos participantes, em entrevista para o livro:

“A Internet congrega uma porção de pessoas como nós, que amam o carnaval, que conhecem todos os sambas, que discutem questões importantíssimas e que são em sua grande maioria jovens (…) Eu fico maravilhada de ver garotos (…) acompanhando atentamente o que se passa aqui, lendo jornais, comprando discos antigos, sempre bem informadíssimos. E já imaginaram quanta gente existe nas mesmas condições, mas ainda não está ligada à rede?”.

No que podemos considerar como uma comunidade virtual “bem gerenciada”, a autora tenta explicar os resultados interativos:

– Nenhuma ferramenta tecnológica é capaz, per se, de automatizar este fenômeno. Ao contrário, a manutenção de uma comunidade se baseia nas noções de cooperação, reciprocidade e administração satisfatória da tensão e do conflito interno.

E justifica que este ambiente propício para a interação é dado, “à medida que eles (os membros da lista) percebem que há um ganho neste convívio, traduzindo no que (Howard) Rheingold chama de colletive goods, ou bens coletivos, do grupo”.

Estas considerações fazem com que a pesquisadora, tome partido:

“A pesquisa junto à comunidade virtua RC revelou uma outra possibilidade de compreensão do problema, decerto menos cética com o ideal comunitário. Pois, ainda que o conflito, o dissenso e mesmo a efemeridade e volatilidade das participações apresentem-se como ameaças, o que testemunhei durante o período da observação foi o bem-sucedido esforço de um grupo para se manter conectado e assim, por meio da Internet, solidificar os laços de convívio e compartilhar uma visão de mundo sobre o Carnaval carioca”.

E finaliza:

“Neste caso, portanto, não tenho dúvida de que a Internet é potencializadora desta rede de afinidades, contribuindo decisivamente para a construção deste coletivo e justificando, assim o interesse acadêmico em torno da temática do ressurgimento do ideal comunitário através das redes digitais”.

Eu complementaria, concordando com a autora, que nem tudo na rede é comunitário, amplia a democracia ou traz o novo.

Mas quando comunidades virtuais são bem gerenciadas, permitem, sem dúvida, ações multiplicadoras, dentro e fora da web, como citadas ao longo do livro.

Uma característica importante das comunidades virtuais é o seu invisível trabalho, já que geralmente não se reúnem, não fazem passeata ou ato público.

Lembram bastante o escarafunchar das formigas e cupins no silencioso mundo das paredes.

Foi neste silêncio escrito das trocas de e-mails diários, que diversas inovações nestes dez anos, já com evidentes mudanças forçadas, em setores monopolistas:

Na sociedade: Poderes centralizados x acesso ilimitado a acessar e produzir informação rede (possível com a própria Internet, construção maior das comunidades inteligentes);

Na indústria do software: Microsoft x Linux;

Na de telecomunicações: Teles x Skype;

Na de entretenimento: Produtores de música e filmes x MP3+E-mule.

Quanto mais atores se apoderarem desse potencial, que estará cada vez mais aperfeiçoado e difundido, mais mudanças teremos.

Se tivéssemos um pesquisador assistindo, como fez a autora, o “barulho” de todas as comunidades virtuais que produziram esses fenômenos irreversíveis em escala global, poderíamos ter a dimensão exata do papel das comunidades virtuais bem gerenciadas nas mudanças que hoje ocorrem no planeta.

(A história destes fenômenos ainda não foi devidamente contada).

Assim, esse poder de articulação globalizado, pela primeira vez disponível ao ser humano, não ocorre pelo simples contato com a tecnologia, mas, construído.

Ou seja, o poder interativo da Web é uma alternativa, uma oportunidade a disposição dos interessados. O que vamos fazer com ela, depende de cada um e de cada grupo.

Na verdade, nem os otimistas e pessimistas têm razão: nem mar, nem terra – apenas praia para quem quer se banhar!

A rede não é para quem gosta ou não de samba, mas para quem quer sambar, como cantarolava Noel:

A vila tem um feitiço sem farofa
Sem vela e sem vintém
Que nos faz bem.


Apertem os cintos, minha comunidade sumiu!

Outubro 31, 2008

A descentralização aponta a tendência de diminuir gradualmente o poder que sites como Orkut e MySpace vão ganhando na sociedade e na vida das pessoas.
26.06.07
[ Por Carlos Nepomuceno ]

Recebi surpreso o seguinte relato das produtoras culturais Janice Laurenti e Teka Oliveira:

”Somos produtoras culturais e desenvolvemos vários projetos neste segmento de arte e cultura (…) Desde maio de 2005 ao conhecermos a plataforma do Orkut, vimos a possibilidade de reunir os profissionais artistas, produtores, financiadores / investidores e acadêmicos dos segmentos culturais. Criamos então a comunidade “Diversidade Cultural”. Com o tempo, começamos a crescer em número e em interação. Devido as inúmeras colaborações dos membros e para organização dos tópicos ali postados, criamos uma ferramenta de jornal eletrônico de nome ” e-flash cultural” que reunia todas as participações dos setores diversos. No último número já eram 2500 leitores (dois mil e quinhentos) em dezembro de 2006.

Infelizmente, ainda em 2006 aumentou a onda de ’spammers’, através do envio de ‘floods’. A maioria dessas informações recebidas nos perfis era de cunho grosseiro que oferecia desde remédios pela Internet, sexo virtual, filmes pornográficos e inúmeros produtos de qualidade duvidosa. Essas mensagens, para nós, foram um ‘alerta’. Percebemos que estávamos num local desprotegido e que ali tudo seria possível. Nem imaginávamos que o pior ainda aconteceria à nossa comunidade.

(…) neste ano de 2007, ainda em processo de construção da plataforma base do Banco Cultural, fomos surpreendidas ao constatarmos que as nossas comunidades do orkut foram roubadas. (grifo nosso) A pessoa responsável pela ação parecia desconhecer o próprio poder de interceptação. Depois de muito argumentar com o suposto ladrão, duas comunidades profissionais e muito ativas sumiram. Seis mil membros em uma, duzentos na outra. Desespero total da parte da equipe e membros. Dois anos de trabalho de construção, com muito esforço se foram num simples DELETAR de um botão de um sociopata.

A orientação que tivemos partiu de outros usuários e não da equipe do Orkut. Uma comunidade de nome “Super Liga de Moderadores” nos orientou em como entrar em contato com a equipe do Orkut, que não é fácil. Orientou também em como achar o link certo para ativar a equipe, outra coisa que não foi fácil de achar. E finalmente nos disse para ‘provar’ que as comunidades eram nossas. Apenas robôs entraram em contato conosco de forma automática sempre em respostas aos nossos e-mails de reclamação. Se não fossem esses “super moderadores” temos certeza que o nosso trabalho estaria perdido e com ele todos os contatos. Depois de tanta tristeza e insistência as comunidades voltaram, contudo o nosso desconforto permanece.

O Orkut, enquanto rede de relacionamento é interessante e funciona realmente. Contudo, confiar nesta plataforma para projetos profissionais e de pesquisas através das “comunidades” daí já se torna algo a se pensar.

(…) Mas uma vez ressaltamos a nossa alegria em participar inserindo em nossa plataforma o ICOX. (…) Temos a pretensão de inaugurar o nosso Portal Banco Cultural e em destaque o canal TEAR – Coletivo Inteligente de Cultura em setembro próximo no 2º Salon du Brésil à Paris – Mostra Brasileira de Marcas, Produtos e Serviços”.

(Texto completo em: http://www.ico.org.br/artigo_problemas.htm).

A notícia, na verdade, faz parte de um cenário que imaginávamos quando começamos o projeto ICOX: não podemos deixar que as comunidades fiquem à mercê de um determinado ambiente, no qual não se tem controle.

Nada contra o Orkut, o Google, mas apenas ao conceito e ao modelo: a rede, por natureza, pede descentralização.

Nossa idéia foi de criar um software livre para montar redes de relacionamento caminhava nessa direção e muito nos alegrou termos agora uma alternativa gratuita para a Janice e para a Teka.

Entretanto, o ICOX tinha uma grande falha. Se cada um instalar um programa, como a Janice poderá compartilhar os blogs e fóruns de sua comunidade com outros de cultura?

Começamos a bater cabeça, até chegar na idéia da Rede ICOX que, finalmente, podemos informar que saiu do papel.

A versão 2.0.1 do ICOX conseguiu colocar em ação uma ferramenta que permite criar uma rede entre os vários ICOXs instalados em servidores diferentes que conseguem se ”enxergar”, abrindo assim a possibilidade de sites de relacionamento sem a necessidade de um portal central.

Calma, ainda está precária, incipiente, mas o que vale aqui, antes de tudo, é o conceito, se começamos a fazer, basta agora esforço de todos nós – em sendo livre – para fazê-la cada vez melhor e poderosa.

É a descentralização, na prática, e ainda embrionária, apontando uma tendência futura, de diminuir gradualmente o poder que sites como o Orkut e MySpace vão ganhando na sociedade e na vida das pessoas.

Informamos ainda que a versão 2.0.1 do ICOX ainda traz como novidades os módulos de Chat, enquete e o que passamos a chamar de Núcleo duro, que é a possibilidade de publicação de vários formatos de arquivos, como vídeos, fotos, áudios, bibliografias, links, etc.

Além disso, a ferramenta já traz uma primeira versão de um tradutor do programa para outros idiomas e uma revisão completa no layout, a partir da experiência do projeto com a Infoglobo, o Globoonliners – site de comunidades do Globo on-line, que já está no ar há mais de dois meses.

Temos ainda outro projeto de sucesso: o Orkuff, site de relacionamento da UFF (Universidade Federal Fluminense), que no nome mostra que o poder centralizador do Orkut começa a ser questionado na prática.

O ICOX já foi baixado por mais de 1400 instituições, é coordenado pela ICO, entidade sem fins lucrativos.

O software conta com o apoio financeiro da Fundação Carlos Chagas de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), através do Programa Rio Inovação. Recebe ainda recursos da Infoglobo, que investiu no produto e as melhorias estão sendo disponibilizadas em rede.

Outras instituições estão estudando ir pelo mesmo caminho.

Que sejam bem-vindas!


A vez da Web 2.0

Outubro 31, 2008

06.03.06
[ O Globo - Por Elis Monteiro ]

Em 1989, o hoje Sir Tim Berners-Lee, na época pesquisador do European Organization for Nuclear Research (Cern), criou a World Wide Web, a interface gráfica da internet, depois carinhosamente apelidada de Web. Tinha início uma das maiores revoluções da história da humanidade que, não à toa, rendeu a Berners-Lee, além do título inglês de “Sir”, o prêmio de Millennium Technology Prize, ou seja, a maior invenção de tecnologia do Século XX. Dezessete anos mais tarde, toma corpo e ganha adeptos o que já está sendo chamado de Web 2.0, uma repaginada na criação de Berners-Lee.

O termo, que tem entre seus criadores um outro Tim (O’ Reilly), surgiu em outubro de 2004, após a realização da conferência Web 2.0, em São Francisco, EUA, organizada pelas empresas MediaLive e O’Reilly Media. Durante um brainstorm , nasceu a idéia de inaugurar uma fase da Web que permitisse mais liberdade ao usuário, que deixa de ser passivo e passa a ter, também, a responsabilidade de produzir, “mixar” e classificar o conteúdo. A idéia vingou e, agora, começam a nascer os primeiros sites “colaborativos” em Web 2.0.

Mas, afinal, o que muda? Para começo de conversa, na prática a Web 2.0 já existe. Serviços de colaboração como o Wikipedia <www.wikipedia.org> e Ohmynews <www.ohmynews.com> seriam legítimos representantes da nova filosofia, que pede mais colaboração ao internauta não só na produção do conteúdo mas na classificação deste, tal qual acontece na Wikipedia, enciclopédia virtual escrita por voluntários, criada em 2001 e baseada em wiki, rede de páginas Web que podem ser modificadas através de browsers comuns.

Outro exemplo de Web 2.0 já em uso é o Flickr, álbum virtual de fotos que permite muito mais que colaboração entre usuários ­ permite o entrelaçamento de sites e serviços.


E como fica a interface?

Há tempos os webdesigners estudam uma forma de combinar elementos visuais (multimídia principalmente) com nterface limpa e amigável e conteúdo rico. Agradar o internauta, no entanto, não é nem nunca foi tarefa fácil. Com a Web 2.0, a dificuldade continua. A diferença é que agora, muito mais que a parte visual, os desenvolvedores precisam pensar na integração de serviços e produtos.

­ O conteúdo é e sempre será um elemento importante. Assim como seu consumo normalmente fica mais interessante e rico quando associado a recursos gráficos. Porém, ser leve na filosofia web 2.0 é permitir a combinação de sistemas de modo que o cruzamento de conteúdo viabilize a criação de novos e melhores produtos ­ diz Márcio Tristão.

E como se daria, na prática, essa “combinação de sistemas”? Tristão explica:

­ Imagine que um site tenha um banco de dados sobre ofertas de empregos. Agora pense em outro que oferece um sistema de rede social, como o Orkut. Misture os dois. Agora você tem um terceiro produto que oferece além de ofertas de emprego: permite ver se o responsável pela vaga é amigo de algum amigo seu ­ diz.

Recursos multimídia e acessórios estão garantidos. Mais do que isso, são estimulados. Melhor ainda quando, como no Flickr, eles permitem a colaboração entre serviços ou entre usuários. Ou os dois.

­ A programação mais leve virá no sentido que as aplicações possuirão interfaces cada vez mais amigáveis para produzir e compartilhar conteúdo, mas não acredito que os recursos multimídia irão diminuir, pois estão se adaptando às novas interfaces. Hoje é muito mais fácil produzir e publicar conteúdo multimídia do que há poucos anos. No fundo esses recursos já são um “direito adquirido” dos internautas e dificilmente retrocederemos nesse sentido ­ diz Marcelo Sávio.

A mudança será sutil, mas definitiva:

­ Dentre em breve não será mais aceitável simplesmente disponibilizar o conteúdo ou o serviço. A nova regra será estruturar os dados da maneira o mais granular possível para que o usuário monte o produto da maneira que preferir.

Para Sávio, a Web 2.0 nada mais é que uma evolução da Web que já usamos.

­ Tanto que essas aplicações estão chegando e dominando o espaço virtual e sequer nos demos conta disso ( EM ).

Colaboração é o lema da ‘nova Web’, que quer levar desktop à internet

Como exemplos de Web 2.0 também temos blogs, fotologs e o Bit Torrent, ferramenta descentralizada para troca de arquivos mantida por usuários.

­ Um usuário escreve no seu blog um post sobre a corrida de touros de Madri e em determinado momento percebe que uma foto daria um toque especial ao texto. Então, acessou o Flickr, encontrou uma foto da famosa corrida e de lá mesmo publicou a foto direto no seu blog ­ explica Márcio Tristão, arquiteto da informação e um dos pioneiros no estudo da Web 2.0 no Brasil. ­ Claro que foi necessário efetuar pequenas configurações, mas o importante é notar que a colaboração entre os sites permitiu tanto o enriquecimento da experiência durante a geração do novo conteúdo quanto mais tarde, quando os leitores descobriram que a foto publicada no blog é também um link para o álbum de fotos sobre a corrida.


Software fica em terreno virtual e não mais no HD

A Web 2.0 também tem como intuito tirar os serviços do disco rígido e levá-los para a internet, numa filosofia a la Google ­ não à toa, o Gmail é um dos primeiros exemplos de aplicação da Web 2.0. A intenção é unir a funcionalidade e a interatividade do desktop (instalado no micro do usuário) com a atualização e potencialidades dos aplicativos Web (que rodam em servidores).

­ Mais importante que saber onde uma aplicação roda, é saber sobre o seu comportamento e como interagimos com ela. As aplicações desktop são geralmente rápidas, por estarem rodando localmente e não dependerem de conexão com a internet, possuem uma interface bem feita e são muito dinâmicas. Você aponta, clica, digita, abre menus e navega por todas as opções rapidamente, praticamente sem ter que esperar ­ diz Marcelo Sávio, Arquiteto de software da IBM e mestrando do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação na Coppe/UFRJ. ­ As aplicações Web, por outro lado, são superatualizadas e oferecem serviços que jamais poderíamos ter em nossos desktops (pense em uma loja virtual, por exemplo). Mas o outro lado da moeda é que a Web requer paciência, seja para esperar um servidor responder, uma tela atualizar ou uma requisição retornar para gerar uma nova página.

No quesito desenvolvimento a Web 2.0 usa padrões abertos, que promovem interoperabilidade através de protocolos, linguagens e formatos padronizados (como WebServices, XML, HTML, Java, TCP/ IP, etc.). Além disso, usa código aberto, o que propicia o desenvolvimento em comunidade e alavanca a inovação colaborativa, além de também promover os padrões (ex: Apache, Mozilla, Eclipse, etc.).

Nova Web acelera e otimiza a navegação do usuário

A forma de acessar informações e a velocidade de download das páginas também mudam. Na “Web 1.0”, cada vez que um usuário dá um clique solicitando uma página, uma requisição é enviada ao servidor que, por sua vez, devolve uma resposta ao browser. Normalmente, nesta resposta uma nova página HTML é carregada. Na navegação atual, é possível ver o redesenho de cada uma dessas páginas, ou seja, a interação (solicitação) do usuário é perceptível durante a navegação.

­ A Web 2.0, de uma maneira geral, “dispensa” esse vai-e-volta visível. Um exemplo clássico é o Google Maps, onde é possível passear por um mapa qualquer e aproximar-se ou afastar-se (com um zoom) com muito pouco redesenho na tela, onde o mapa parece sempre contínuo. É claro que as requisições e respostas também acontecem aqui, porém de uma forma menos perceptível, pois acontecem nos “bastidores” e as respostas são preparadas e enviadas contendo apenas a informação necessária requisitada ­ diz Marcelo Sávio. ­ O redesenho inteiro da tela só acontece efetivamente quando o usuário muda para uma nova página.

Para desenvolver aplicações Web deste tipo, diz Sávio, usa-se linguagens script que rodam nas máquinas dos usuários e trocam dados com os servidores Web.

­ Nesse quesito, os holofotes atuais apontam para o Ajax (Asynchronous JavaScript and XML) ­ diz.

Dentre as características do Ajax está justamente a capacidade de impedir o carregamento repetido (e desnecessário) das páginas. Com o Ajax, lembra Sávio, o browser não tem que esperar que o usuário solicite alguma ação e não precisa atualizar a tela inteira para mostrar algum dado que tenha acabado de chegar.

Também é o Ajax o responsável por deixar o ambiente Web com jeitão de “desktop”, busca de dez entre dez softwarehouses, como a todo-poderosa Microsoft, que corre atrás com o lançamento de produtos como Windows Live Mail, webmail com cara e funções de Outlook. Este, entre outros, já é um primeiro resultado da mudança de rumo que a Web tomou. É apenas o começo. ( EM )


Os blogs estão virando orkuts e chegam às intranets

Outubro 31, 2008

Os usuários não são mais simples consumidores de serviços e conteúdo, mas também agem como criadores, propiciando uma rede de inteligência coletiva, diz o Gartner Group sobre comunidades na web.
31.05.06
[ Por Carlos Nepomuceno ]

De um lado, o Technorati (site de busca em blogs) informa que o mês de maio de 2006 assiste a incrível marca de 40,5 milhões de blogs no planeta, com 2,4 bilhões de links indexados.

De outro, a Gallup registra que apenas 9% dos internautas lêem blogs regularmente, 11% ocasionalmente, 13% raramente e 66%, a maioria, nunca.

A mesma Tecnorati que anuncia a explosão dos blogs detalha que dos 40 milhões existentes, metade posta pouco e apenas 10% postou na última semana.

O que mostra a tendência de que o internauta cria o blog no impulso, mas com o retorno baixo das visitas, larga.

É o paradoxo da publicação em rede: a mesma ferramenta maravilhosa que facilita a publicação de um, permite o mesmo para milhões, tirando de todos a possibilidade de atenção.

Como se sabe e vale repetir: publicar é fácil, o difícil é alguém ler.

Foi o mesmo fenômeno que ocorreu nas páginas pessoais dos anos 90, as mães dos blogs, que eram menos ágeis e não permitiam comentários.

Antes que o povo do Blog me vaie (de novo) temo dizer que os bons blogs vieram para ficar.

Os bens visitados realmente serão poucos e bons.

Serão aqueles que conseguirão criar em torno, por uma série de requisitos, uma comunidade de leitores.

Uns, pelo mérito exclusivos dos novos colunistas;

Outros, principalmente, por já estarem vinculados à mídia oficial (jornais, rádios e tevês);

E os que vêm surgindo para abrir canal entre as empresas do mercado com seu público, como é o caso da Boeing, Walt Disney e Mc Donald’s, por exemplo.

A filosofia por trás dos blogs corporativos, que já tem até consultor e especialista é: se for para falar mal, fale pra mim mesmo!

Mas para onde, então, vai o exército dos blogueiros?

Sim, eles continuam ávidos de expressão e atenção.

Parece que vão conseguir resultados melhores estacionando seus escritos, filmes, fotos, músicas nos ambientes interativos do tipo MySpace e Orkut, no qual é mais fácil aparecer, em torno da comunidade de amigos.

O My Space, pouco conhecido no Brasil, é um Orkut melhorado, neto do Yahoo Groups, com espaço para postar fotos, filmes, músicas e escritos, além de outras iguarias.

Foi comprado este ano pelo mega empresário da mídia Rupert Murdoch (através da sua empresa RM News Corp) por 580 milhões de dólares, que levou junto o cadastro de 80 milhões de usuários, que crescem a taxa de 270 mil por dia.

A febre por esse tipo de ambiente despertou o mercado especulativo da web, que vê surgir uma nova pequena “bolha”, com concorrentes de sites batizados de Social Networking (rede social de relacionamento) por todos os lados:

O Bebo este mês recebeu aporte de 15 milhões de dólares da Benchmark Capital;

O Yahoo lançou o My Web 2.0, ambiente, em que agrega as listas de discussão do Yahoo Groups e outras firulas interativas;

Segundo a Nielson/NetRatings, os sites com ênfase em rede social de relacionamento cresceram 47% no último ano, com o MY Space liderando com taxa de crescimento de 367%, enquanto o Blogger, gestor do blogs, da Google, por exemplo, ficou apenas com 80%.

O consultor Ibope já registrou esta tendência também no Brasil na sua última pesquisa: “em relação ao aumento do tempo online, o Ibope Inteligência destaca o crescimento da categoria “comunidades”.

Perguntem-me, então, você acredita na tendência destes sites comunitários?

Como entretenimento sim, como rede de conhecimento e desenvolvimento social, não; só com projetos induzidos e fechados.

O que começará a ocorrer em breve, estimulado dentro e fora das empresas, instituições e governos que importarão lentamente esta cultura para gerar conhecimento e riqueza.

Quem prevê isso?

Pierre Lévy, o filósofo otimista da inteligência coletiva?

Não, a Gartner, empresa de consultoria de tecnologia dos grandes grupos americanos, em seminário ocorrido este mês. Eles afirmam:

“Comunidades web provêem rica interação entre empresários, empresas parceiras e consumidores que podem tanto apoiar ou ameaçar a empresa, conforme esta interação seja feita”.

Detalham:

“Comunidades na web exigem abordagem participativa na qual os usuários não são mais simples consumidores de serviços e conteúdo, mas também agem como criadores, propiciando uma rede de inteligência coletiva”.

E complementam:

“Como o número de participantes e os tipos de modelos de colaboração tendem a crescer, o poder irá tender cada vez mais para o consumidor, forçando as empresas a agir de forma proativa no mercado e analisar a influência destas comunidades”.

É uma proposta de mudança radical nas intranets, como defende o professor da Harvard Business School, de Boston, Andrew P. McAfee.

Fala da importância dos novos ambientes colaborativos:

“Não são apenas repositórios de informação ou espaços de colaboração, são muito mais do que isso – formas de acumulação do conhecimento coletivo que advém diretamente da experiência, da sabedoria e do julgamento dos próprios usuários”.

E propõem:

“Os gestores têm de deixar de pensar nas intranets como algo estático, mantido por um pequeno grupo dedicado ao assunto. Têm de pensar as intranets como dinâmicas, como um recurso gerado coletivamente e de responsabilidade de todos”.

Chega a ponto de defender a redefinição do que é a gestão do conhecimento nas empresas, em função disso.

Ou seja, quem acha que o orkut e similares são apenas brincadeiras de adolescente, não se engane ou espante, um belo dia o jovem, quando menos se espera, vira adulto.


Sua empresa já aderiu à web 2.0?

Outubro 31, 2008

10.05.07
[ Info Corporate - Por Françoize Terzian ]

O que blogs, wikis, redes sociais e os ambientes virtuais em 3d, como o Second Life, têm a ver com o mundo corporativo? Tudo, já que essas tecnologias começam a se incorporar à realidade das empresas. Por serem ferramentas interativas e de colaboração, elas tendem a gerar produtividade e competitividade de funcionários e fornecedores e ainda aproximar os clientes. Bem-vindo à versão corporativa da web 2.0. Os portais colaborativos serão o primeiro passo rumo à gestão do conhecimento e das inovações, transformando a web 2.0 no que o mercado tem chamado de arquitetura da participação. Uma montanha de informações, idéias e conhecimentos armazenados vai poder ser facilmente guardada, encontrada e compartilhada. Diante dessa oportunidade de acelerar negócios e levar as empresas a uma nova esfera digital, a discussão não é mais se vale ou não a pena fincar bandeira na web 2.0, mas como fazê-lo. E aí está uma grande oportunidade para o CIO, que pode assumir o papel de orientador da presidência e das áreas de negócio, para que a corporação possa trabalhar com essas novas ferramentas de forma eficiente.

Artigo Completo » http://info.abril.com.br/corporate/edicoes/44/conteudo_231962.shtml